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Alta do trigo pressiona cadeia produtiva e pode refletir no preço do pão francês

Elevação da matéria-prima aumenta custos de moinhos e padarias e reforça atenção do setor para o comportamento da próxima safra

13 de Agosto de 2026

A alta no preço do trigo tem pressionado diferentes elos da cadeia produtiva de alimentos e pode trazer reflexos ao consumidor nos próximos meses. Em 2026, o cereal acumula valorização estimada entre 12% e 15%, percentual acima dos reajustes próximos de 5% registrados em períodos considerados normais, segundo informações da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) divulgadas pela CNN Brasil.

O movimento começa no campo e passa pelos moinhos, pela produção da farinha e pelas empresas de panificação até chegar ao consumidor. Segundo a CNN Brasil, os moinhos já repassaram, em média, entre 10% e 15% do aumento de seus custos, mas encontram dificuldades para transferir integralmente as altas ao mercado. As padarias também têm absorvido parte dessa pressão, reduzindo suas margens para evitar reajustes maiores nos produtos.

Entre os alimentos mais sensíveis está o pão francês, cuja formulação tem a farinha de trigo como principal componente. De acordo com a Abip, a farinha representa cerca de 70% da receita do produto. Nas padarias, considerando todo o mix comercializado, o insumo corresponde a aproximadamente 20% a 30% dos custos.

Apesar da alta de até 15% no trigo, isso não significa um reajuste equivalente no preço do pão. A estimativa apresentada pela Abip é de que o aumento do pão francês fique limitado a cerca de 4%, justamente pela dificuldade de repassar integralmente os custos ao consumidor.

Clima e qualidade da safra preocupam o setor

Além dos preços, a cadeia acompanha com atenção a disponibilidade e a qualidade do trigo que chegará ao mercado. A redução da área plantada no Brasil e as condições climáticas ampliam as incertezas em relação à próxima safra. Para a indústria, a preocupação não se limita ao volume disponível, uma vez que diferentes produtos exigem características específicas do cereal, especialmente na panificação.

O cenário climático também merece atenção. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou condições de elevada umidade e chuvas intensas na Região Sul durante o desenvolvimento da safra de inverno, além de apontar riscos associados a um possível episódio de El Niño. O excesso de chuva em determinadas fases do cultivo pode afetar produtividade e qualidade dos cereais de inverno.

Para o presidente do SindAlimentos, Wilson de Oliveira, compreender esse movimento é importante porque o impacto não ocorre de forma isolada, mas percorre toda a cadeia de produção.

“Quando o custo do trigo aumenta, o impacto percorre toda a cadeia. A indústria busca eficiência e absorve parte dessas pressões, mas é preciso equilíbrio para preservar a produção, os empregos e o abastecimento.”

A situação reforça a importância do acompanhamento dos custos das matérias-primas, das condições da safra e do mercado, especialmente para empresas que utilizam trigo e farinha em sua produção.

Para o SindAlimentos, levar informação qualificada aos empresários e à sociedade também contribui para mostrar que a formação do preço dos alimentos envolve uma cadeia ampla, que começa na produção agrícola e inclui indústria, logística, processamento e comercialização até chegar à mesa do consumidor.

Fontes: CNN Brasil/CNN Agro, A TARDE e Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).


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